Organograma e Job Design (QRF)
Desenhar a estrutura antes de contratar, com um quadro de responsabilidades por caixa. Evita o CEO apagando incêndio e a confusão de quem responde por qual métrica.
Atualizado em 06 de ago. de 2026
O organograma divide a empresa em blocos de função. O QRF (Quadro de Responsabilidades da Função) especifica, por caixa, o que a pessoa faz e quais métricas ela influencia.
Fazer isso antes de contratar é o que evita a estrutura se formar por acidente.
Como fazer
- Liste os três blocos:
- Receita — marketing e comercial.
- Produto — educação, CS, suporte.
- Gestão — financeiro, jurídico, RH, operações.
- Pergunte "to be", não "as is": "Se eu começasse do zero para entregar a minha meta, qual seria o time ideal?" — e não "como está hoje?".
- Desenhe em lousa infinita (Miro ou equivalente). Regra estrutural:
Uma pessoa pode ocupar duas caixas. Uma caixa nunca pode ter duas pessoas.
Responsabilidade compartilhada é responsabilidade de ninguém.
- Limite o span de controle: máximo 6-10 liderados por líder.
- Escreva o QRF de cada caixa: nome, cargo, a quem responde, top 5 responsabilidades, métricas que influencia.
A ordem de contratação, por tamanho
Otaviano Assis (SDE #158) parte da zona de genialidade do fundador (o 80/20 dele) e monta o time como complemento, não como espelho.
| Tamanho do time | Movimento |
|---|---|
| Início | Se o fundador domina tráfego: contrate 1 copywriter e 1 editor |
| 7 a 8 pessoas | Gestor de projetos, "correndo" — antes disso a operação começa a travar |
| 8 a 10 pessoas | O fundador sai do operacional e fica só no estratégico |
Tua empresa tem lá sete, oito pessoas, não tem um gestor de projeto ainda? Tem que contratar correndo.
Na expansão do tráfego, ele divide a função em duas senioridades em vez de contratar outro sênior: júnior sobe anúncio, sênior otimiza dado. A mesma cadeira vira júnior, pleno, auxiliar, líder de squad e head.
Um organograma de 9 dígitos (Arthur PC · SDE #103 e #127)
A operação roda 12 projetos de VSL por mês, e cada projeto ganha um squad próprio que funciona como mini-empresa:
| Papel | Quantidade por squad |
|---|---|
| Copywriter da VSL | 1 |
| Copywriter pleno | 1 |
| Copychef (revisão) | 1 |
| Editor da VSL | 1 |
| Editor-chefe (head de edição) | 1 |
| Gestor de tráfego | 1 |
Acima dos squads, 2 gerentes de projeto, cada um cuidando de 6 ofertas.
Duas decisões contraintuitivas
Mais editores que copywriters. São 11 editores no time. O raciocínio é de gargalo: um único copywriter produz 25 a 30 anúncios por dia em variações — se a edição não acompanha, a esteira para.
Júnior não escreve VSL. Copywriter júnior escreve apenas anúncios e peças simples de funil; pleno e sênior escrevem a VSL completa. Uma sênior atua como Head de Ads, treinando os juniores.
Quem cobra
Não é o fundador. A cobrança é centralizada no gestor de projetos, enquanto os heads técnicos cuidam de treinamento.
Quem cobra diretamente é o gestor de projetos. Então o cara chato é ele.
O time mínimo que faz 100K/dia
Davi Meurer (SDE #159) descreve a operação com 3 copywriters e 3 editores, com ele mesmo 100% no operacional, revisando peça todo dia.
Eu tinha umas três copies e três editores, e a gente tava todo dia fazendo criativo pra caramba, revisando tudo. Eu tava focado só nisso — porque, acredite ou não, ainda é 80/20 fazer criativo e otimizar o funil.
O contraste com o organograma de 9 dígitos acima é o ponto: volume de faturamento não determina tamanho de time. Determina quantas ofertas simultâneas você sustenta.
Por que o QRF importa mais que o organograma
O desenho de caixas resolve hierarquia. O QRF resolve a pergunta que realmente trava a operação: quem responde por este número?
Sem isso, quando o CPA estoura, três pessoas acham que é problema da outra.
Erros
- Personograma (acima).
- Mais de 10 liderados por líder.
- QRF com 20 responsabilidades — foque nas 5 principais.
- Organograma que nunca é revisitado depois de desenhado.